sexta-feira, 8 de março de 2013
A mulher ao seu lado
A mulher ao seu lado não queimou sutiãs, não atravessou o oceano pilotando um avião e nem comanda uma centena de subordinados, mas merece parabéns no dia de hoje. A mulher ao seu lado equilibra as funções de companheira, mãe, trabalhadora e amiga, a mulher ao seu lado teve a coragem de dizer que a maternidade não é pra ela, que aquele casamento não era pra ela, que homem não é a praia dela. A mulher ao seu lado não fez passeatas pelo voto feminino, não se libertou do espartilho e nunca ouvir falar de combinações e saiotes. A mulher ao seu ao seu lado aprendeu sozinha a multiplicar as horas do dia, pagar as próprias contas, aceitar a TPM, bancar a francesa e rodar a baiana. A mulher ao seu lado, colega de trabalho, amiga, esposa, namorada, irmã, filha ou mãe, apesar do ritmo alucinado dos dias de hoje, há de gostar de um abraço, de um bilhete, de um cartão, de um presente. Talvez ela chore, talvez ela ria, mas isso também é próprio da mulher ao seu lado. Estela Casagrande
Amélias, Emílias, Helenas, Leilas e Pagus
Ouço estarrecida que é tendência entre as mulheres desejar fazer o caminho de volta para o lar, ficando exclusivamente cuidando de marido, filhos e da casa. Isso me faz lembrar que há 80 anos as mulheres conseguiram o direito de votar e há pouco mais de 50 anos a sociedade ocidental passou por diversas mudanças, entre elas a caminhada em busca da igualdade sexual, proporcionada pelo advento da pílula anticoncepcional. Claro, isso está ainda longe de acontecer. Mais recentemente, em 1977, mulheres (e homens) adquiriram o direito de se divorciar e não precisam mais manter um casamento falido e podem investir ou não numa nova relação. Já o tal ingresso no mercado de trabalho é ponto controverso. Mulheres pobres em sua maioria sempre foram mão de obra, trabalhando em casa ou contratadas como lavadeiras, domésticas, operárias e outras funções com baixo salário. Foram mulheres brancas de classe média que lutaram pela entrada no mercado de trabalho, e ainda assim basicamente em funções que prolongavam o cuidar exercido em casa, seja como enfermeira, professora e outras profissões em que a feminilidade era enaltecida. Para esta mulher - do lar - que não mais existe ou quem sabe nunca tenha existido, foram compostas várias canções. A mais famosa refere-se a uma tal Amélia. Contemporâneas, as letras de “Ai que saudades da Amélia”, de Mário Lago e Ataulfo Alves; e “Emília”, de Wilson Batista e Haroldo Lobo, elogiam mulheres, se não submissas, ao menos, resignadas com o presente. Enquanto Amélia não tinha vaidade e “achava bonito não ter o que comer”, Emília era ainda mais ficcional, se observada com o olhar da atualidade. Na letra de Emília, o autor diz “Quero uma mulher que saiba lavar e cozinhar/Que de manhã cedo me acorde na hora de trabalhar”. Em ambas as letras, no entanto, a constatação: Emília é única e Amélia é a mulher que já se foi, de que jeito a letra não diz. Entrevistado sobre a letra, Mário Lago certa vez declarou: “Amélia é qualquer pessoa apaixonada, seja homem ou mulher”. Quando Chico Buarque - justo ele - gravou “Mulheres de Atenas” (1976), em plena ditadura, há quem não tenha entendido a sutil crítica que o autor fazia. Ao aconselhar que as mulheres fossem conformadas e dóceis, ele empresta de Helena, uma das personagens mais fortes e políticas da mitologia grega, a força da contradição da letra. Em contrapartida, tivemos e temos mulheres de carne e osso que merecem ser recordadas no dia de hoje. Leila Diniz talvez não tivesse a intenção de levantar bandeiras, mas mudou a vida de muitas mulheres. Pagu, questionadora e libertária, encarou a prisão por 23 vezes por falar o que pensava. Ambas usaram da arte para se comunicar com o mundo. Haverá um dia - oxalá breve - que não celebraremos o Dia da Mulher, não recordaremos as desigualdades entre os gêneros, não afirmaremos que a mulher é o sexo forte e não nos pautaremos sobre casos de mulheres que se destacam no mercado altamente masculino. Isso tudo será passado. E por isso a minha surpresa ao saber que algumas mulheres desejam voltar ao lar. Porque se a luta se faz na rua, creio que nossa cosmovisão, nossa visão de mundo só se amplia se abrirmos bem os olhos. E a mente. Estela Casagrande
Praia do Forte
“Você já foi à Bahia, nega? Não? Então vá!‘” Estela Casagrande Esses versos de Caymmi vieram à minha mente quando o avião que me levaria de volta a São Paulo taxiava. Pela janela, pude ler a frase “Pule de alegria, você está na Bahia” me dizendo adeus. Era quinta-feira de pré-carnaval e eu estava deixando Salvador, no contra-fluxo de tantos que estavam chegando na maior euforia. Mas a Bahia é muito mais que Carnaval. É preciso voltar muitas vezes, acredito, porque nesta minha pimeira viagem à terra de Castro Alves e de Maria Bethânia eu conheci um pedacinho da Bahia chamado Praia do Forte. No trajeto de 50 minutos entre o aeroporto de Salvador e o Tivoli Ecoresort Praia do Forte, onde participei de um press trip, uma viagem para jornalistas, conversei sobre as belezas da Bahia com o motorista Erivaldo, morador de Mata de São João e descobri que o município tem pouco mais de 40 mil habitantes e que nos seus 28 quilômetros de praia reúne um roteiro delicioso que começa em Praia do Forte e se estende até Costa do Sauípe. Ao chegar ao resort, uma água de coco deliciosamente gelada me esperava e eu me despedi de Erivaldo com outra música na cabeça, também de Dorival Caymmi...”Aqui faz muito calor/No Nordeste faz calor também/Mas lá tem brisa...” ‘O mar quando quebra na praia é bonito, é bonito...‘ Olhando o mar que quebra na praia em frente ao Ecoresort Praia do Forte, eu diria que que o mar não quebra, ele lambe a areia, se entrega e se espalha, embalando as pessoas em águas sem ondas. Areias brancas e recifes de coral que formam piscinas naturais completam o cenário paradisíaco. Mas a natureza, embora seja a estrela do local, admite a companhia de tecnologia, conforto e sofisticação, além da simpatia e bom humor de todos que lá trabalham. Misturados com europeus e turistas de toda parte do Brasil, além de argentinos, eu e meu sotaque caipira, me acostumei em três tempos a ser atendida por uma baiana que me chamava de querida, e quase volto com sotaque diferente. Os números se agigantam, são 287 apartamentos, todos de frente para o mar, num terreno de 300 mil m2. O diretor geral, João Eça Pinheiro, destaca o fato de que os 550 funcionários (mais 100 terceirizados) significam que o resort tem 2,4 funcionários por quarto ocupado, em sua maioria, todos captados na região e capacitados no hotel. De nacionalidade portuguesa, terra onde a rede mantém 12 hotéis, João Eça está à frente da unidade Praia do Forte desde 2010 e já se acostumou com o calor e a brisa da Bahia. Também impressiona o fato de que o hotel mantém mil metros quadrados de área verde preservada para cada apartamento do resort. É de encher os olhos! Arquitetura e decoração que valorizam materiais naturais Ao se aventurar pelas alamedas do hotel, pode-se observar que o projeto arquitetônico é majestoso e a decoração, primorosa, prioriza o trabalho regional de artesão e artistas, com materiais naturais que dão ao conjunto um ar de requinte e sofisticação que só a simplicidade pode dar. Também é de João Eça uma das frases que demonstra a visão norteadora do grupo Tivoli. “Na hotelaria, a década mais importante é a próxima”, resume ele. Isso significa que em meio a muito verde, o hóspede vai encontrar micos, uma infinidade de pássaros e outros animais silvestres, mas também poderá observar uma constante manutenção (fique tranquilo, você só vai perceber se for muito observador, pois não há barulhos ou inconvenientes) em todos os cantos do hotel. No jardim, em meio ao coqueiral, as ruínas de uma armação baleeira, local onde eram processados produtos oriundos de pesca ou caça às baleias, foi preservada. De lá pode-se avistar no final da tarde os barcos de pesca na linha do horizonte e os turistas fazendo caminhadas ou aproveitando os últimos raios de sol para um mergulho no mar. No interior dos apartamentos, a modernidade pode ser observada na decoração clean e funcional, na amplitude dos banheiros e quartos e o luxo da rede na varanda para os momentos de deleite olhando o mar da Bahia. Diversão para a família toda Você pode até querer curtir as férias com seus pequenos, mas decididamente eles não vão ficar perto de você. O hotel oferece um espaço exclusivo para as crianças. O Clube Careta Careta (nome de uma tartaruga) é enorme, totalmente seguro, com parque aquático e espaços onde são realizadas atividades de educação ambiental, oficina de artes e diversas atividades ofercidas pelos monitores. Para os menores de 4 anos, o hotel oferece serviço de baby sitter, espaço com piso macio especial e baby copa, disponível 24 horas. Além disso o hotel oferece, gratuitamente, berço, carrinho e banheirinha. Já os adultos têm à disposição campo de futebol, quatro quadras de tênis, quadra de vôlei de areia, anfiteatro, spa e fitness center. Também é possível praticar esportes náuticos, mergulho, pesca, aulas de yoga, dança e caminhadas. Convenções e treinamentos O Tivoli Ecoresort é destino de convenções de profissionais liberais e é usado por muitas empresas de todo o Brasil para treinamentos e também para premiação de funcionários. Para isso o Tivoli conta com dois espaços para convenções: “A Casa da Torre”, com 375 m2, dois salões moduláveis para cinco espaços diferentes e que pode ser utilizado para pequenas recepções até grandes seminários ou confraternizações de empresas; e o salão Garcia D’Ávila, com 200 m2, além de sala de apoio. Também pode ser utilizado de diversas formas. Com três opções de restaurante e quatro bares, o hóspede de lazer tem total liberdade e, ao mesmo tempo, convenções e treinamentos não interferem no cotidiano de famílias hospedadas. Talasso Spa É possível ter um paraíso dentro do paraíso? É! O Talasso Spa é um espaço de 4 mil metros quadrados totalmente voltado para o bem-estar. O Spa tem salão de beleza, fitness center e área de relaxamento, com piscina climatizada com hidromassagem, três saunas, circuito biotérmico (adorei!), tanque de água gelada (não tive coragem), e caminho das pedras (deliciosa). Também conta com 25 espaços privativos para tratamentos como massagens, tratamentos estéticos e outros. O Spa também mantém área à beira-mar, montada no jardim do hotel, onde são oferecidos diversos tipos de massagem. Os sabores da Bahia e do mundo A gastronomia é um capítulo à parte. O restaurante Goa oferece buffet com mais de cem itens da culinária baiana e internacional. Já se a escolha é saborear a gastronomia típica e frutos do mar, a opção é o Tabaréu, com ambiente mais descontraído, de frente para o mar. Com vista para a piscina com borda infinita e também para os lagos do hotel, o À Sombra do Coqueiral tem cardápio a la carte destaque para a culinária mediterrânea e internacional. Já o Dendê Bar e o Moet Ice Bar são pedidas para drinques e coquetéis. Não deixe de experimentar o Cinderela, um suco de frutas de sabor delicado, e claro, o Camarão à Sapiranga, que é dos deuses. Veja a receita nesta reportagem. A estrela do resort é a natureza Desde o início de sua inaguração, há quase 28 anos, a unidade Praia do Forte do Tivoli, mantém uma parceria forte com os moradores da região. Desta forma, são promovidas trilhas, pescarias, visitas ao Projeto Tamar e observação de baleias. A ideia de proteção do meio ambiente é tão forte entre os moradores e a direção do hotel, que foi decisória para que o hotel utilize apenas 20% da sua área total da área. O restante é preservado, tranformando a area num santuário ecológico. Canções citadas nesta reportagem: Você já foi à Bahia, O Mar e Brisa. Estela Casagrande realizou essa reportagem a convite do Ecoresort Praia do Forte. Saiba mais mais em: www.tivolihotels.com/pt/hoteis/bahia/tivoli-ecoresort-praia-do-forte/o-hotel.aspx Projeto Tamar O Projeto Tamar, criado em 1980, mantém 23 bases de pesquisa em 9 estados brasileiros, protegendo cerca de 1.100 quilômetros de litoral. Todos os anos, de setembro a março, a unidade de Praia do Forte, além de outras unidades situadas no liotral baiano, recebem centenas de tartarugas marinhas para a desova. No Brasil ocorrem cinco espécies de tartarugas, todas ameaçadas de extinção. São a cabeçuda (Caretta caretta), de Pente (Eretmochelys imbricata), Verde (Chelonia Mydas), Oliva (Lepidochelys olivacea) e de Couro (Dermochelys coricea). Cada uma delas tem uma característica que chama a atenção, a Cabeçuda é a que mais desova no litoral brasileiro, a de Pente é uma das mais ameaçadas de extinção. Era usada na fabricação de pentes, joias aermação de óculos. A Verde é a única que desova nas ilhas oceânicas e a Oliva é a menor de todas as tartarugas marinhas, pesando em torno de 65 quilos. A de Couro é a maior espécie de tartaruga marinha, pode medir 2 metros e pesar em torno de 700 quilos. Seu casco é menos rígido, aparentando couro, por isso o nome. A unidade de Praia do Forte é a segunda do Brasil e durante o período de desova, o trabalho é incessante. Uma das conquistas do projeto é o fato de que antigos tartarugueiros, que matavam tartaruga e colhiam ovos, hoje são os maiores protetores das tartarugas. Durante a noite ou mesmo de manhãzinha, cada pedaço de praia é supervisionado para que os ninhos sejam demarcados, ou no caso de ficarem em áreas pouco seguras para os filhotes, são transferidos para o Tamar. Também são colocadas telas para proteger os ovos das raposas, principal predador dos ovos. Durante a visita ao projeto Tamar aprende-se muita coisa, por exemplo que não dá pra se precisar quantos anos vive uma tartaruga marinha. Os primeiros indivíduos salvos pelo projeto somente agora estão chegando a fase adulta, aos 30 anos. Outro ponto importante que precisa ser lembrado é que caçar e matar tartarugas é proibido no mundo todo. Do Ecoresort Praia do Forte até a Vila dos Moradores onde o Projeto Tamar está localizado é possível ir pela praia, de Tuk Tuk, aqueles veículos indianos muito usados por lá e mesmo a pé, cerca de 15 minutos de caminhada. Para voltar, parando nas lojinhas da Vila, pode-se demorar a tarde inteira. Como alguém que mora distante do litoral pode ajudar na preservação desse animal marinho que é tão importante para manter a vida de outras espécies marinhas? São diversas formas, desde adotar uma tartaruga, comprar os produtos Tamar e visitar os Centros de Visitantes, que geram recursos para o trabalho de conservação, inclusive gerando empregos empregos locais. Saiba mais sobre o projeto em www.tamar.org.br. O que levar protetor solar chapéu óculos de sol máquina fotográfica O que trazer artesanato regional souvenirs da lojinha do projeto Tamar muitas fotos e boas lembranças O que não pode faltar passeio (e compras) pela vila de moradores visita ao Projeto Tamar experimentar os sabores deliciosos dos sorvetes ver o por do sol da piscina do resort saborear o camarão à sapiranga andar de tuk tuk
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