segunda-feira, 16 de setembro de 2013

De noites de domingo, gentilezas e luas especiais

(foto de Matheus Casagrande,
o guri argentino) 
Estela Casagrande








(Para Neide e Odilon...)

Domingo. Passava pouco das seis da tarde. Eu estava trabalhando e não tinha almoçado. Fui jantar "com as galinhas", como se diz. No caminho entre a redação e o refeitório dou de cara com uma lua lindíssima. Brilhante mais que o normal e trazia junto de si o planeta Vênus. Fiquei extasiada. O céu ainda estava claro e a imagem me fez ficar longos minutos observando. No final do jantar, a noite já vestia seu manto escuro e a beleza do satélite e do planeta estava ainda mais forte.

Voltando ao posto de trabalho, entre a tristeza de contabilizar sete mortes entre afogamentos, homicídios e acidentes na região num único fim de semana e o impasse da situação na Síria, o telefone toca.

Não era um novo incêndio nem reclamação. A leitora do outro lado, Neide, que durante a conversa descobri ser uma colaboradora da coluna Corujice, queria apenas compartilhar do seu êxtase em observar a lua e declarar que nunca havia visto o astro tão lindo. "Seria muito lindo ver uma foto da lua de hoje no jornal", ela sugeria.

Pedido mais do que acatado. Eu já havia pedido a mesma coisa ao fotógrafo que nos acompanhava na edição. Neide se despediu dizendo estar feliz por ter conversado comigo. Eu também estava, e muito.

Poucos minutos depois, outro telefonema. Desta vez o leitor se chamava Odilon. Eu não o conheço, nem de nome, nem de voz (sim, eu tenho uma memória para vozes que supera minha memória de rostos, creia) e Odilon fazia a mesma observação que Neide: a beleza singular da lua naquela noite de 8 de setembro.

Depois de Odilon pelo menos mais cinco pessoas ligaram para o jornal com o mesmo propósito, mas não sei seus nomes, porque a ligação não foi recebida por mim.

Que lua era aquela que fazia com que as pessoas sentissem necessidade de compartilhar sua visão? Eu mesma ofereci aquela imagem como um presente naquele fim de plantão.

E muitos pensamentos me passaram pela cabeça. Tenho alguns poucos leitores que de vez em quando ligam ou escrevem para contar novidades, corujices, repartir suas vidas comigo. Confesso que isso me alimenta a alma. Alguns muitas vezes se queixam, me puxam a orelha, sentem falta da coluna Gentileza gera Gentileza, desejam que os textos sejam compilados num livro, reclamam que temos cachorros demais no Ela. Outras vezes, ligam para contar que serão avós mais uma vez, e claro, a maioria das vezes ligam para sugerir pautas que acabam por virar matérias.

Mas nunca me passou pela cabeça que chegaríamos a um estágio de gentilezas que uma pessoa ligaria para o jornal para compartilhar com o maior número de pessoas a visão única de um satélite iluminado por uma estrela em alinhamento com o planeta Vênus. Falando assim, parece coisa fria, mas basta mudar as palavras e tudo fica lindo: a lua sorria no céu e uma estrela parecia uma pinta na face da noite. Pura poesia.

Pedi ao meu filho para fotografar e ele me disse que já tinha feito isso, porque a lua estava bela demais.

Mais tarde, em casa, conversamos por longas horas sobre o fenômeno astronômico, mas muito mais sobre o fenômeno que se apossou de Neide, Odilon e todos os outros.

E de sua juventude veio uma resposta inesperada: "Mãe, as pessoas estão se importando cada vez mais com as outras, as pessoas estão olhando para o céu, nós estamos olhando para o céu, nós estamos desejando compartilhar coisas belas com os outros. Isso é significativo demais!"

Admiro sempre o poder dos jovens, o desejo de mudar o mundo e a luta contra o individualismo em que muitos estão inseridos; mas sei que Neide e Odilon não são mais tão jovens, nem eu tampouco. Então volta a pergunta: o que aconteceu durante aquele alinhamento entre Vênus e a lua que fez com que as pessoas alertassem às outras sobre aquele momento? Isso é comum e eu nunca percebi ou realmente meu filho tem razão e as pessoas estão mais conectadas, olhando mais o céu e menos a TV?

Se você não viu a lua de domingo, existem centenas de fotos espalhadas por aí mostrando a beleza observada por Neide, destacada por Odilon. A que ilustra a coluna estava entre dezenas tiradas pelo meu filho. Mas creio que não há fotografia que se compare ao silêncio provocado pelo momento.

Faço a você um convite que fiz a mim mesma naquela noite: quando nos depararmos com algo belo, que tal compartilhar? Em contrapartida: que tal deixar de lado cenas grotescas, fofocas e preconceito? É um desafio, mas um desafio delicioso.

Publicada na edição de 13/09/13 do Jornal Cruzeiro do Sul.

terça-feira, 16 de julho de 2013

O paraíso de Santa Catarina

Mata Atlântica preservada e praia exuberante cativam o turista
Deste ponto as possibilidades são inúmeras, mas as principais são caminhada pela praia ou trilha pelo museu arqueológico a céu aberto. Esculturas do Tuguá (uma homenagem as culturas tupi e guarani) estão espalhadas por todo o resort 
Estela Casagrande

Florianópolis é reconhecida pela qualidade de vida, alegria, gente bonita, praia e muito sol. A capital de Santa Catarina, com praias para todos os gostos, muito verde, lagoas e dunas encantam o turista que sempre quer voltar. Uma das opções de hospedagem fica a apenas 50 minutos de voo, partindo de São Paulo e mais 50 minutos de translado, no extremo norte da ilha, em meio a uma natureza exuberante. Esqueça o relógio e o celular. Permita-se fugir dos telejornais e entregue-se às merecidas férias com tudo a que tem direito. Urbano, porém privativo, com todo o conforto e tecnologia, mas totalmente integrado à natureza, o Costão do Santinho, localizado em Florianópolis, na praia do Santinho, integra - junto com Ingleses, Jurerê, Canasvieiras e Brava -, as mais belas praias do litoral norte do Estado. O resort destaca-se no ramo hoteleiro por agradar a diversos tipos de turistas. Destino certo de grupos de todas as idades, jovens casais, pequenas famílias e verdadeiros clãs que reúnem primos, tios e agregados numa verdadeira festa.

Considerado o melhor resort para eventos do Brasil por sete anos e melhor resort de praia do Brasil por seis anos, o Costão está localizado em uma área de Mata Atlântica preservada, entre a praia do Santinho e dunas e costões rochosos, totalizando um milhão de metros quadrados à disposição do hóspede.

As acomodações são distribuídas entre 14 vilas em estilo açoriano (com capacidade que varia de 2 a 6 pessoas) e a Ala Internacional (comportando de 2 a 6 pessoas). São apartamentos que são verdadeiras casas de praia, com até três dormitórios.

Para garantir a energia de tanta programação, a gastronomia é variada. São cinco restaurantes e três bares. As especialidades vão desde frutos do mar (Rancho do Pescador) até churrasco gaúcho (Grill), passando por massas (Trattoria di mare), buffet diversificado (Nossa Senhora das Ondas) e cozinha internacional (Nossa Senhora da Vitória). Os bares garantem a fome e gula fora de hora. As atrações continuam pela noite adentro, com a boate e o cassino. Não se preocupe que você não estará fora da lei. Na Cassineira, aberta somente para maiores, você pode jogar roleta, 21, Black Jack, e muito mais usando a moeda Carijós, exclusividade do Costão e que é trocada por prêmios.

Para queimar as calorias adquiridas

Nem tudo é dolce far niente. Hora de mexer o esqueleto
De um lado, o mar 


Para queimar todas as calorias adquiridas com os quitutes deliciosos a ordem é se exercitar e as opções são muitas.

As caminhadas diárias pela região promovidas pelo resort partem às 10h da manhã todos os dias, algumas bastante leves e curtas, com paradas para apreciar a natureza e registrar em fotos. As mais longas (cerca de 2h30) são as que levam ao Morro das Aranhas e dos Ingleses. Além disso, você pode optar por esportes náuticos e radicais. Arco e flecha, surfe, arvorismo, tênis, saídas de mergulho e cavalgada estão entre os passeios opcionais.

Além do Espaço Fitness, uma estrutura completa para atividades físicas, incluso no pacote, há o Costão SPA, que pode ser frequentado de várias formas. O Day Spa dá direito a um dia de massagens e tratamentos hidroterápicos como talassoterapia, saunas e duchas escocesa, entre outros. Quem quiser também pode optar por atividades avulsas.

Conhecer o campo de golfe é uma oportunidade incrível para quem não conhece. Isso porque além de ser um excelente exercício mental e físico para quem não está acostumado ao jogo e não quer se aventurar nos 571 metros quadrados, 3.250 jardas e nove buracos, há a área driving range, onde os hóspedes podem treinar as tacadas longas e de precisão. E haja treino, viu! Mas levando tudo na esportiva, tudo fica fica mais divertido ainda. Companheiros de tacadas erradas você terá, com certeza!

Para as crianças, o resort tem programação diária com a equipe de monitores. A novidade é o Costão Baby, espaço voltado a bebês de 0 a 3 anos com monitores treinados que auxiliam nos cuidados e praticam atividades com os pequenos. Além disso, há a opção, à parte, de serviço de babás.

E para remexer o esqueleto, de quarta a sábado, a boate tem duas opções, um ambiente com DJ que invade a madrugada com hits dançantes e apresentações ao vivo em outro.

Para negócios e eventos


Com capacidade para público de eventos de 3.600 pessoas, o Espaço Tuguá tem 1,8 mil m2 e é cenário para eventos corporativos como feiras, congressos e outros tipos de reuniões como formaturas. Aliados ao Tuguá, o Pavilhão Cascaes e o Espaço CIE completam a estrutura, além dos 656 apartamentos, gastronomia, recreação, lazer e serviços.

Tudo isso sem prejudicar o chamado hóspede familiar.

Festival Matsuri é uma celebração à cultura oriental



Julho é mês da mais consagrada semana temática do resort. O Costão Matsuri, que iniciou no dia 14 e segue até o dia 21 de julho, reúne diversas atrações, que vão da culinária ao cinema, passando por shows tradicionais e eventos esportivos, uma verdadeira celebração à cultura oriental.

Shows musicais com Karen Ito, Derico (saxofonista do programa do Jô) e Jane Ashihara, festival de gastronomia, karaokê, oficinas de origami, kirigami, bonsai, mágica e o 9º Torneio de Gateball Costão Matsuri. Com festa todas as noites, o pacote especial ainda conta com apresentações de taikô (tambores japoneses) e danças típicas.

Para criançada, uma das atividades mais esperadas serão os shows de mágica de Edson Iwassaki que irão encantar os pequenos hóspedes, além de exposições culturais ao longo da semana. Já os cinéfilos terão vez com a mostra de filmes japoneses, que apresentará os grandes clássicos e demais obras contemporâneas.

O pacote de três noites em apartamento Standard fica em R$ 1.127,00 por pessoa no sistema all inclusive. Acesse www.costao.com.br para conferir as condições e demais pacotes.

Inscrições rupestres remontam a 5 mil anos

Os grafismos geométricos acabaram se tornando a logomarca do resort


Entre uma caminhada e outra pela praia, conhecer o Museu Arqueológico ao Ar Livre é uma aventura que merece fotos, anotações e muita emoção. A praia do Santinho é um verdadeiro santuário de arqueologia, com sítios de inscrições rupestres, oficinas líticas e monumentos rupestres. O local abriga um grande número de inscrições conhecidas popularmente como "letreiros". as inscrições são símbolos sagrados de uma cultura bastante evoluída, relacionada com conhecimentos de filosofia, astronomia e ciências. São evidências muito antigas, confeccionadas intencionalmente por uma civilização pré-histórica, denominada de sambaquis, que remonta a 5 mil anos.

As inscrições são encontradas sempre voltadas para o mar, principalmente nos paredões de diques de pedra negra (diabásio).

Depois de conhecer os símbolos deixados por uma civilização antiga, permita-se momentos de reflexão do alto da montanha e aprecie o mar, as ondas e a beleza infinita de toda a natureza que avança até onde os olhos alcançam.

Já no costão sul da Praia dos Ingleses há um sítio arqueológico com uma variedade de rochas que foi utilizada para a fabricação de instrumentos e artefatos. Conhecido como Museu dos Brunidores ou Oficinas Líticas, o local é repleto de afiadores e amoladores, feitos em sua maioria em pedras isoladas bem próximas ao mar ou riachos.

Estas marcas foram produzidas durante a preparação ou mesmo na atividade de amolar e afiar instrumentos.

Ambos os museus recebem pesquisadores brasileiros e estrangeiros das áreas como história, antropologia, arqueologia, biologia, artes e arquitetura.

No Museu Arqueológico a Céu Aberto, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) projetou e o Costão do Santinho realizou uma obra que tem o objetivo de proteger e difundir o conhecimento. Além da estrutura que proporciona sombreamento sobre as inscrições, diminuindo a alternância da temperatura, principal causa da degradação, o complexo é formado por passarelas, caminhos, bancadas, comunicadores, Praça do Conhecimento e esculturas e é considerada a primeira ação de valorização de um sítio arqueológico dessa natureza no Brasil.

Meu Pai é Rock


O Costão criou um concurso na fanpage oficial do resort (facebook.com/resortcostao) unindo os temas Pai e Rock"n Roll. Para participar, o candidato tem até o dia 30 de julho para ir à fanpage do Costão, fazer o cadastro da ficha de inscrição e, em seguida, o upload da foto que estará concorrendo ao prêmio. A foto mais criativa sobre os temas ganhará uma hospedagem VIP, inclusive para o pai, um acompanhante e duas crianças de até 11 anos (sem aéreos) no fim de semana especial de Dia dos Pais, entre 9 e 11 de agosto.

Cada participante poderá participar com apenas uma imagem. O resultado final com o vencedor será conhecido também na rede social do resort no dia 2 de agosto.

Galinha Pintadinha, tênis e ritmos de dança

Equipe de recreação do resort recebe a Galinha Pintadinha em julho 


Além de toda a infraestrutura do hotel e suas atrações, o hotel também reservou atrações especiais:

20 de julho - Show " Cadê o Popó?" com a Galinha Pintadinha, além de participar de atividades junto à criançada, e as peças teatrais, envoltas em aventura, magia e histórias, chamadas O Mistério do Tesouro da Ilha e Meu Bichinho de Estimação;

até 28 de julho - Clínica de tênis com a presença dos mais consagrados treinadores do Brasil para ensinar as principais técnicas, além de torneios de integração entre os hóspedes;

25 a 28 de julho - Encerrando as atrações, o 7º Baila Costão promete não deixar ninguém parado na pista de dança, pois contará com aulas dos coreógrafos Jaime Arôxa, Rodrigo Scherer e mais 40 personal dancers que ensinarão diversos ritmos do samba à salsa, do tango ao bolero. Para colocar todas as lições aprendidas em prática, o Costão do Santinho promoverá bailes durante a programação.

6 a 8 de setembro - A Semana da Pátria tem show com Titãs, feijoada com samba velha guarda, desfile de moda, aula de gastronomia e caminhada ecológica.

1 a 4 de outubro - Show de Daniel, baile da Primavera, festa à fantasia, concurso Rainha primavera e muitas outras atrações.

11 a 13 de outubro - Dia das Crianças com brincadeiras para todas as idades.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O primeiro passo é o mais difícil


Estava quase dormindo. De repente, senti que meu coração ia parar, depois acelerou. Tentei racionalizar, mas a irrigação do cérebro ficou prejudicada e eu só conseguia me emocionar. Senti falta de ar.
Ia morrer e não conseguia nem ao menos pedir socorro.
Fiquei paralisada. De medo e de saber a morte tão próxima. Não sei quanto tempo durou. Poderia ter sido meia hora ou cinco minutos, ou nem isso.
Quando finalmente tudo se acalmou, percebi que estava molhada de tanto suor. Levantei, tomei um copo de água e decidi que tinha tido um pesadelo.
Mas estava enganada.
Passou alguns dias e tive a mesma sensação de novo.
A morte chegava. Da mesma forma.
Mas em vez de me levar de vez, ficava a me rondar, rodopiava ao meu redor, desfalecia meu coração, tira-me o ar, esganava-me a garganta, tirava-me horas de sono e no dia seguinte eu acordava.
E no outro, e no outro e no outro.
Só procurei um médico - cardiologista, claro - quando senti que estava cansada das danças da morte. Decidira que preferia morrer de uma vez do que morrer todos as noites e amanhecer viva.
Depois de uma dezena de exames, lá estava eu, mais saudável do que um bebê, pressão, colesterol, tudo, tudo, tudo mesmo, normal.
Impossível.
Sou cardíaca, tenho certeza. Sinto taquicardia, suadouro, falta de ar quase todas as noites. Os exames estãoerrados.
o estavam.
Eu estava despreparada para ouvir o diagnóstico.
Síndrome do Pânico.
Aquela doença que tá na moda? Prima-irmã da depressão? Conselheira do suicida? E que não tem nada a ver com coração? Obrigada, eu passo.
Mas ela não passa. Não sem tratamento, não sem acompanhamento, não sem coragem.
Fiquei feliz, se fosse coração seria pior. Se precisasse de cirurgia eu enlouqueceria. Se eu demorasse mais para procurar o médico podia perder o emprego, a família, ou mesmo a vida, se a crise acontecesse de novo no trânsito.
O médico tinha voz calma. Chorei mesmo na sua presença. E ele dizia que eu não precisa ter vergonha ou medo do que estava sentindo.
Eu não estava só, de diversas formas. Primeiro porque até há alguns anos a medicina nem saberia cuidar dessa doença. Segundo, porque muitas pessoas passavam naquele momento pela mesma situação que eu.
Mas um cardiologista não era o médico mais indicado para o meu caso. Então ele falou a palavra feia: psiquiatra. Médico de louco, pensei. Eu, tenho que ir procurar um médico de louco. Nem morta.
Mas era preciso, caso eu não quisesse encontrar a mesma morte todas as noites, minando-me o corpo e e mente.
Receitou-me um medicamento simples. Apenas pra me aliviar um pouco, me acalmar para a próxima batalha.
O resto era comigo.
Por último, perguntou-me se eu tinha alguma fé. Diante do meu silêncio, (não dizem que quem cala, consente?) indicou-me para ler a Bíblia. Mandou-me porém ler apenas os textos alegres, felizes, salmos ou o próprio evangelho. Que eu me afastasse das palavras tristes, das passagens com batalhas sangrentas, mortes e vinganças.
Que eu fizesse exercícios físicos também. Quem sabe caminhadas, solitárias ou acompanhadas de alguém que não fizesse perguntas demais, nem falasse coisas tristes.
Quando saí para a rua, a tarde tinha se feito noite e eu chorei e chorei e chorei.
Eu estava com síndrome do pânico! Doença que é citada nas rodinhas de conversa com mãos na frente da boca. Minha prepotência negava-se a aceitar essa doença. Enquanto aviava a receita na farmácia, chorava e chorava. Nãsei porque contei para a balconista da farmácia.
Eu nunca tomei remédio tarja preta. estou ficando louca, pensava ou dizia - nem sei ao certo.
Foi quando ela disse: Eu tive.
Parei de chorar. Eu tive há dois anos, ela continuou, é só se cuidar, procurar ajuda e vai ver como passa. Não é fim do mundo.
Agradeci e sai.
Na soleira da porta mesmo, enchi bem os pulmões, uma, duas vezes.
Repeti a frase da moça. Não é o fim do mundo.
E dei o primeiro passo.
(publicado em 22 de março de 2013)
Estela Casagrande

Judas, esse meu desconhecido...


Judas, esse meu desconhecido

Estela Casagrande


 
Tenho verdadeira paixão por histórias. Todas as histórias. Quando criança, na falta de muitos livros em casa, li os evangelhos, um velho volume com ortografia ultrapassada encapado naqueles papéis usados em corte e costura. Lembro que, na minha inocência, morria de inveja de Jesus porque ele tinha genealogia. Lucas delineava a linhagem até chegar em Adão, enquanto a minha se perdia logo após meus bisavós, vejam só. Mas assim que tive discernimento para pensar, uma das coisas que mais me deixava incomodada na história e nas diversas interpretações que faziam dela era o episódio em que Judas traía Jesus, arrependia-se e se enforcava. O Jesus de Nazaré, de Zefirelli, deixou-me ainda mais apaixonada pela história ainda com mais perguntas.

No último sábado foi possível observar por todo o país manifestações chamadas de "malhação do Judas", onde bonecos são espancados, queimados ou mesmo estourados. Não me parece combinar com nenhum dos ensinamentos do homem Jesus, espancar pessoas, mesmo para quem não o acredita divino.

Pois quando vejo imagens da "malhação" sempre vejo crianças participando com bastante entusiasmo, com sorrisos no rosto e paus e pedras nas mãos. Crianças imitam tudo o que veem, crianças seguem as tradições dos adultos, crianças repetem o comportamento de quem as educa, isso sabemos há tempos. A pergunta que me fica é: se numa idade em que elas ainda nem conhecem a história de Jesus e suas simbologias, são incentivadas a malhar um boneco, muitas vezes com máscaras de pessoas do cotidiano dos telejornais, como podemos afirmar que não as estamos educando para a violência?

Jesus, um homem que pregava a não-violência, não merecia tal "tradição".

Nunca fui - em criança - numa malhação de Judas, nunca levei meus filhos a sequer observar. Todos os dias faço uma força danada para praticar a não-violência com atos ou mesmo palavras que podem ferir as pessoas (e não é fácil) e algumas tradições como touradas, farra do boi e comemorações com fogos de artifício me deixam estarrecida.

Vira e mexe alguém emite opinião sobre a relação dos jogos de computador com a violência das ruas, mas esquecemos de violências cotidianas de que somos protagonistas e - como a malhação do Judas -, que incentivamos e mantemos.

E entre tantas dúvidas que trago à você, leitor, fica um desejo muito antigo, dos tempos de criança. Eu sempre desejei que Jesus tenha perdoado Judas, e que ele tenha se retratado. E hoje desejo que as crianças que este ano malharam o Judas, no ano que vem, e no outro e no outro, perguntem-se: por que estou fazendo mesmo isto?
(Publicado na coluna Cosmovisão em 05.04.2013)

sexta-feira, 8 de março de 2013

A mulher ao seu lado

A mulher ao seu lado não queimou sutiãs, não atravessou o oceano pilotando um avião e nem comanda uma centena de subordinados, mas merece parabéns no dia de hoje. A mulher ao seu lado equilibra as funções de companheira, mãe, trabalhadora e amiga, a mulher ao seu lado teve a coragem de dizer que a maternidade não é pra ela, que aquele casamento não era pra ela, que homem não é a praia dela. A mulher ao seu lado não fez passeatas pelo voto feminino, não se libertou do espartilho e nunca ouvir falar de combinações e saiotes. A mulher ao seu ao seu lado aprendeu sozinha a multiplicar as horas do dia, pagar as próprias contas, aceitar a TPM, bancar a francesa e rodar a baiana. A mulher ao seu lado, colega de trabalho, amiga, esposa, namorada, irmã, filha ou mãe, apesar do ritmo alucinado dos dias de hoje, há de gostar de um abraço, de um bilhete, de um cartão, de um presente. Talvez ela chore, talvez ela ria, mas isso também é próprio da mulher ao seu lado. Estela Casagrande

Amélias, Emílias, Helenas, Leilas e Pagus

Ouço estarrecida que é tendência entre as mulheres desejar fazer o caminho de volta para o lar, ficando exclusivamente cuidando de marido, filhos e da casa. Isso me faz lembrar que há 80 anos as mulheres conseguiram o direito de votar e há pouco mais de 50 anos a sociedade ocidental passou por diversas mudanças, entre elas a caminhada em busca da igualdade sexual, proporcionada pelo advento da pílula anticoncepcional. Claro, isso está ainda longe de acontecer. Mais recentemente, em 1977, mulheres (e homens) adquiriram o direito de se divorciar e não precisam mais manter um casamento falido e podem investir ou não numa nova relação. Já o tal ingresso no mercado de trabalho é ponto controverso. Mulheres pobres em sua maioria sempre foram mão de obra, trabalhando em casa ou contratadas como lavadeiras, domésticas, operárias e outras funções com baixo salário. Foram mulheres brancas de classe média que lutaram pela entrada no mercado de trabalho, e ainda assim basicamente em funções que prolongavam o cuidar exercido em casa, seja como enfermeira, professora e outras profissões em que a feminilidade era enaltecida. Para esta mulher - do lar - que não mais existe ou quem sabe nunca tenha existido, foram compostas várias canções. A mais famosa refere-se a uma tal Amélia. Contemporâneas, as letras de “Ai que saudades da Amélia”, de Mário Lago e Ataulfo Alves; e “Emília”, de Wilson Batista e Haroldo Lobo, elogiam mulheres, se não submissas, ao menos, resignadas com o presente. Enquanto Amélia não tinha vaidade e “achava bonito não ter o que comer”, Emília era ainda mais ficcional, se observada com o olhar da atualidade. Na letra de Emília, o autor diz “Quero uma mulher que saiba lavar e cozinhar/Que de manhã cedo me acorde na hora de trabalhar”. Em ambas as letras, no entanto, a constatação: Emília é única e Amélia é a mulher que já se foi, de que jeito a letra não diz. Entrevistado sobre a letra, Mário Lago certa vez declarou: “Amélia é qualquer pessoa apaixonada, seja homem ou mulher”. Quando Chico Buarque - justo ele - gravou “Mulheres de Atenas” (1976), em plena ditadura, há quem não tenha entendido a sutil crítica que o autor fazia. Ao aconselhar que as mulheres fossem conformadas e dóceis, ele empresta de Helena, uma das personagens mais fortes e políticas da mitologia grega, a força da contradição da letra. Em contrapartida, tivemos e temos mulheres de carne e osso que merecem ser recordadas no dia de hoje. Leila Diniz talvez não tivesse a intenção de levantar bandeiras, mas mudou a vida de muitas mulheres. Pagu, questionadora e libertária, encarou a prisão por 23 vezes por falar o que pensava. Ambas usaram da arte para se comunicar com o mundo. Haverá um dia - oxalá breve - que não celebraremos o Dia da Mulher, não recordaremos as desigualdades entre os gêneros, não afirmaremos que a mulher é o sexo forte e não nos pautaremos sobre casos de mulheres que se destacam no mercado altamente masculino. Isso tudo será passado. E por isso a minha surpresa ao saber que algumas mulheres desejam voltar ao lar. Porque se a luta se faz na rua, creio que nossa cosmovisão, nossa visão de mundo só se amplia se abrirmos bem os olhos. E a mente. Estela Casagrande

Praia do Forte

“Você já foi à Bahia, nega? Não? Então vá!‘” Estela Casagrande Esses versos de Caymmi vieram à minha mente quando o avião que me levaria de volta a São Paulo taxiava. Pela janela, pude ler a frase “Pule de alegria, você está na Bahia” me dizendo adeus. Era quinta-feira de pré-carnaval e eu estava deixando Salvador, no contra-fluxo de tantos que estavam chegando na maior euforia. Mas a Bahia é muito mais que Carnaval. É preciso voltar muitas vezes, acredito, porque nesta minha pimeira viagem à terra de Castro Alves e de Maria Bethânia eu conheci um pedacinho da Bahia chamado Praia do Forte. No trajeto de 50 minutos entre o aeroporto de Salvador e o Tivoli Ecoresort Praia do Forte, onde participei de um press trip, uma viagem para jornalistas, conversei sobre as belezas da Bahia com o motorista Erivaldo, morador de Mata de São João e descobri que o município tem pouco mais de 40 mil habitantes e que nos seus 28 quilômetros de praia reúne um roteiro delicioso que começa em Praia do Forte e se estende até Costa do Sauípe. Ao chegar ao resort, uma água de coco deliciosamente gelada me esperava e eu me despedi de Erivaldo com outra música na cabeça, também de Dorival Caymmi...”Aqui faz muito calor/No Nordeste faz calor também/Mas lá tem brisa...” ‘O mar quando quebra na praia é bonito, é bonito...‘ Olhando o mar que quebra na praia em frente ao Ecoresort Praia do Forte, eu diria que que o mar não quebra, ele lambe a areia, se entrega e se espalha, embalando as pessoas em águas sem ondas. Areias brancas e recifes de coral que formam piscinas naturais completam o cenário paradisíaco. Mas a natureza, embora seja a estrela do local, admite a companhia de tecnologia, conforto e sofisticação, além da simpatia e bom humor de todos que lá trabalham. Misturados com europeus e turistas de toda parte do Brasil, além de argentinos, eu e meu sotaque caipira, me acostumei em três tempos a ser atendida por uma baiana que me chamava de querida, e quase volto com sotaque diferente. Os números se agigantam, são 287 apartamentos, todos de frente para o mar, num terreno de 300 mil m2. O diretor geral, João Eça Pinheiro, destaca o fato de que os 550 funcionários (mais 100 terceirizados) significam que o resort tem 2,4 funcionários por quarto ocupado, em sua maioria, todos captados na região e capacitados no hotel. De nacionalidade portuguesa, terra onde a rede mantém 12 hotéis, João Eça está à frente da unidade Praia do Forte desde 2010 e já se acostumou com o calor e a brisa da Bahia. Também impressiona o fato de que o hotel mantém mil metros quadrados de área verde preservada para cada apartamento do resort. É de encher os olhos! Arquitetura e decoração que valorizam materiais naturais Ao se aventurar pelas alamedas do hotel, pode-se observar que o projeto arquitetônico é majestoso e a decoração, primorosa, prioriza o trabalho regional de artesão e artistas, com materiais naturais que dão ao conjunto um ar de requinte e sofisticação que só a simplicidade pode dar. Também é de João Eça uma das frases que demonstra a visão norteadora do grupo Tivoli. “Na hotelaria, a década mais importante é a próxima”, resume ele. Isso significa que em meio a muito verde, o hóspede vai encontrar micos, uma infinidade de pássaros e outros animais silvestres, mas também poderá observar uma constante manutenção (fique tranquilo, você só vai perceber se for muito observador, pois não há barulhos ou inconvenientes) em todos os cantos do hotel. No jardim, em meio ao coqueiral, as ruínas de uma armação baleeira, local onde eram processados produtos oriundos de pesca ou caça às baleias, foi preservada. De lá pode-se avistar no final da tarde os barcos de pesca na linha do horizonte e os turistas fazendo caminhadas ou aproveitando os últimos raios de sol para um mergulho no mar. No interior dos apartamentos, a modernidade pode ser observada na decoração clean e funcional, na amplitude dos banheiros e quartos e o luxo da rede na varanda para os momentos de deleite olhando o mar da Bahia. Diversão para a família toda Você pode até querer curtir as férias com seus pequenos, mas decididamente eles não vão ficar perto de você. O hotel oferece um espaço exclusivo para as crianças. O Clube Careta Careta (nome de uma tartaruga) é enorme, totalmente seguro, com parque aquático e espaços onde são realizadas atividades de educação ambiental, oficina de artes e diversas atividades ofercidas pelos monitores. Para os menores de 4 anos, o hotel oferece serviço de baby sitter, espaço com piso macio especial e baby copa, disponível 24 horas. Além disso o hotel oferece, gratuitamente, berço, carrinho e banheirinha. Já os adultos têm à disposição campo de futebol, quatro quadras de tênis, quadra de vôlei de areia, anfiteatro, spa e fitness center. Também é possível praticar esportes náuticos, mergulho, pesca, aulas de yoga, dança e caminhadas. Convenções e treinamentos O Tivoli Ecoresort é destino de convenções de profissionais liberais e é usado por muitas empresas de todo o Brasil para treinamentos e também para premiação de funcionários. Para isso o Tivoli conta com dois espaços para convenções: “A Casa da Torre”, com 375 m2, dois salões moduláveis para cinco espaços diferentes e que pode ser utilizado para pequenas recepções até grandes seminários ou confraternizações de empresas; e o salão Garcia D’Ávila, com 200 m2, além de sala de apoio. Também pode ser utilizado de diversas formas. Com três opções de restaurante e quatro bares, o hóspede de lazer tem total liberdade e, ao mesmo tempo, convenções e treinamentos não interferem no cotidiano de famílias hospedadas. Talasso Spa É possível ter um paraíso dentro do paraíso? É! O Talasso Spa é um espaço de 4 mil metros quadrados totalmente voltado para o bem-estar. O Spa tem salão de beleza, fitness center e área de relaxamento, com piscina climatizada com hidromassagem, três saunas, circuito biotérmico (adorei!), tanque de água gelada (não tive coragem), e caminho das pedras (deliciosa). Também conta com 25 espaços privativos para tratamentos como massagens, tratamentos estéticos e outros. O Spa também mantém área à beira-mar, montada no jardim do hotel, onde são oferecidos diversos tipos de massagem. Os sabores da Bahia e do mundo A gastronomia é um capítulo à parte. O restaurante Goa oferece buffet com mais de cem itens da culinária baiana e internacional. Já se a escolha é saborear a gastronomia típica e frutos do mar, a opção é o Tabaréu, com ambiente mais descontraído, de frente para o mar. Com vista para a piscina com borda infinita e também para os lagos do hotel, o À Sombra do Coqueiral tem cardápio a la carte destaque para a culinária mediterrânea e internacional. Já o Dendê Bar e o Moet Ice Bar são pedidas para drinques e coquetéis. Não deixe de experimentar o Cinderela, um suco de frutas de sabor delicado, e claro, o Camarão à Sapiranga, que é dos deuses. Veja a receita nesta reportagem. A estrela do resort é a natureza Desde o início de sua inaguração, há quase 28 anos, a unidade Praia do Forte do Tivoli, mantém uma parceria forte com os moradores da região. Desta forma, são promovidas trilhas, pescarias, visitas ao Projeto Tamar e observação de baleias. A ideia de proteção do meio ambiente é tão forte entre os moradores e a direção do hotel, que foi decisória para que o hotel utilize apenas 20% da sua área total da área. O restante é preservado, tranformando a area num santuário ecológico. Canções citadas nesta reportagem: Você já foi à Bahia, O Mar e Brisa. Estela Casagrande realizou essa reportagem a convite do Ecoresort Praia do Forte. Saiba mais mais em: www.tivolihotels.com/pt/hoteis/bahia/tivoli-ecoresort-praia-do-forte/o-hotel.aspx Projeto Tamar O Projeto Tamar, criado em 1980, mantém 23 bases de pesquisa em 9 estados brasileiros, protegendo cerca de 1.100 quilômetros de litoral. Todos os anos, de setembro a março, a unidade de Praia do Forte, além de outras unidades situadas no liotral baiano, recebem centenas de tartarugas marinhas para a desova. No Brasil ocorrem cinco espécies de tartarugas, todas ameaçadas de extinção. São a cabeçuda (Caretta caretta), de Pente (Eretmochelys imbricata), Verde (Chelonia Mydas), Oliva (Lepidochelys olivacea) e de Couro (Dermochelys coricea). Cada uma delas tem uma característica que chama a atenção, a Cabeçuda é a que mais desova no litoral brasileiro, a de Pente é uma das mais ameaçadas de extinção. Era usada na fabricação de pentes, joias aermação de óculos. A Verde é a única que desova nas ilhas oceânicas e a Oliva é a menor de todas as tartarugas marinhas, pesando em torno de 65 quilos. A de Couro é a maior espécie de tartaruga marinha, pode medir 2 metros e pesar em torno de 700 quilos. Seu casco é menos rígido, aparentando couro, por isso o nome. A unidade de Praia do Forte é a segunda do Brasil e durante o período de desova, o trabalho é incessante. Uma das conquistas do projeto é o fato de que antigos tartarugueiros, que matavam tartaruga e colhiam ovos, hoje são os maiores protetores das tartarugas. Durante a noite ou mesmo de manhãzinha, cada pedaço de praia é supervisionado para que os ninhos sejam demarcados, ou no caso de ficarem em áreas pouco seguras para os filhotes, são transferidos para o Tamar. Também são colocadas telas para proteger os ovos das raposas, principal predador dos ovos. Durante a visita ao projeto Tamar aprende-se muita coisa, por exemplo que não dá pra se precisar quantos anos vive uma tartaruga marinha. Os primeiros indivíduos salvos pelo projeto somente agora estão chegando a fase adulta, aos 30 anos. Outro ponto importante que precisa ser lembrado é que caçar e matar tartarugas é proibido no mundo todo. Do Ecoresort Praia do Forte até a Vila dos Moradores onde o Projeto Tamar está localizado é possível ir pela praia, de Tuk Tuk, aqueles veículos indianos muito usados por lá e mesmo a pé, cerca de 15 minutos de caminhada. Para voltar, parando nas lojinhas da Vila, pode-se demorar a tarde inteira. Como alguém que mora distante do litoral pode ajudar na preservação desse animal marinho que é tão importante para manter a vida de outras espécies marinhas? São diversas formas, desde adotar uma tartaruga, comprar os produtos Tamar e visitar os Centros de Visitantes, que geram recursos para o trabalho de conservação, inclusive gerando empregos empregos locais. Saiba mais sobre o projeto em www.tamar.org.br. O que levar protetor solar chapéu óculos de sol máquina fotográfica O que trazer artesanato regional souvenirs da lojinha do projeto Tamar muitas fotos e boas lembranças O que não pode faltar passeio (e compras) pela vila de moradores visita ao Projeto Tamar experimentar os sabores deliciosos dos sorvetes ver o por do sol da piscina do resort saborear o camarão à sapiranga andar de tuk tuk